• Morrigan Ankh

DEMÔNIO A QUEDA - introdução ao cenário (capítulo 12)


Hell-o, pessoal!!! MIL DESCULPAS, desta vez, dias muito intensos e gritaria para todos os lados!

O capítulo 12 saiu atrasado, mas se ajuda em algo, finalmente consegui unir as linhas de tempo! Espero que gostem! E já adianto que o Capítulo 13 está quase terminado, ou seja, sai na data certinha, próximo dia 05/11!!!! Chegou agora e não sabe o que está acontecendo? Confere os capítulos desde o começo, os links estão no final desta postagem!

(Não vou ficar enrolando, vamos direto para os acontecimentos!) Bora lá!


******* 12. NOVIDADE [Vizinhos]

Havia dias que as coisas estavam “silenciosas” na vizinhança. Dolores chegou a acionar o despertador para acordar mais cedo, forçando-se a caminhar algumas quadras e observar os rostos dos vizinhos, oras mascarados, oras desmascarados. Numa dessas vezes, chegou a ir até o mercadinho do Seu Aires, local que frequentara em raríssimas ocasiões, pois dificilmente tinha seu Delboro Light.

Até cogitou se o “Bom Samaritano” não havia mudado de lugar; chegou a olhar o saco de linho na gaveta ao lado da cama (conferia se as lâminas ainda estavam ali, todos os dias, uma vez ao acordar e uma antes de deitar) e considerou se não havia exagerado ao ir até Aníbal. Essa dúvida cessou durante uma noite, quando sentiu uma vibração percorrer o ar. Era fraca, estava longe, mas era real. Dolores tinha certeza do que aquilo significava: um Caído estava se manifestando na realidade. Não pôde dizer quem era, ou o que estava acontecendo, mas teve a certeza de que seu “vizinho” ainda estava na área e ativo. Não se deu ao trabalho de trocar os chinelos e sair correndo de casa; com a sutileza daquela impressão sobrenatural, o mais provável seria perder a pista antes mesmo de pegar as chaves. Pelo menos, ela sabia que ele não havia ido longe, as lâminas estavam no lugar certo, na hora certa.

Teve mais uma noite de suspeitas. Ficou enfurecida com a audácia do outro Caído. “Esse imbecil não sabe se assumir, não?! TALVEZ, EU DEVESSE DAR UM OLÁ DE VERDADE...” Pensou enquanto se repreendia. “Mulher burra! Vai se denunciar justo agora?! Foi esperta até aqui... observe, colete informações, só decida depois...” Era um Anjo do Vento e o Vento tinha essa elegância. Poderia ser a fúria que arrancava casas do chão, ou a brisa que mal se faz notar. Dolores só estava viva por isso, porque mal se deixara notar para outros. “Lembre de Zul-Phaktur, de Nemiaim, de Harziamoth, de...” Parou. Lembrava deles, todos eles, toda a sua lista, mas preferiu beber cerveja até esquecer os detalhes e cair no sono. Em breve, teria mais um nome, mas não hoje, não com a cabeça confusa.

Até que chegou o dia, estava retirando a margarina e o queijo da geladeira, quando sentiu uma emanação mais forte. Desta vez, estava mais próxima de sua casa, então trocou os chinelos, enfiou a Faca de Pragas numa bolsa, colocou uma das tais máscaras exigidas para andar na rua e saiu correndo. Usou sua Presciência Sobrenatural para poder se guiar através das quadras. Em um momento, eram apenas barulhos de carros e pessoas e animais, até que, como uma frequência que se esconde dentro de vários canais sonoros, algo finalmente prendeu sua atenção.

Assim que localizou a energia, concentrou-se o suficiente conseguindo ter uma ideia de onde e o que estava ocorrendo. Dolores percorreu as quadras de forma objetiva, o Caído que perseguia estava há uma distância relativamente curta e estava canalizando uma energia benéfica. Aproveitou esses instantes para ativar uma de suas características de Forma Apocalíptica para chegar sem ser notada. Concentrou-se nos movimentos do próprio corpo e buscou na graça de sua Forma Apocalíptica, “Elil, o Semblante do Vento”, por meios de tornar sua chegada imperceptível. Conforme caminhava, o próprio ambiente parecia se tornar distraído de sua presença, nem mesmo as folhas do chão se erguiam com seus passos, passava sem deixar rastros.

Quando finalmente chegou ao local, era uma construção abandonada com tapumes, pichações e lixo no perímetro. Escondeu-se e ficou observando o que podia de sua posição não muito privilegiada. Estava “camuflada” com sua característica especial, claro, mas não podia subestimar a outra Caída. Observando, notou que ganhara uma vizinha, a mulher que apertava a mão de um homem barrigudo, com cabelos começando a ficar grisalhos, e que vestia um casaco cinza. Também viu uma garota em roupas desproporcionalmente grandes, e outro homem que lhe pareceu familiar, embora Dolores ainda não soubesse dizer de onde.

Dolores ansiava por poder escutar o que falavam. Ela observava a mulher falar e tirar o que pareciam máscaras para aquelas pessoas. Um gesto nobre, se você fosse apenas humano, mas ela duvidava que sua nova vizinha não tivesse “planos dentro de planos”. Acreditava que aquele grupo estaria espionando pelo bairro, já que, com aquelas aparências, seriam facilmente evitados nas ruas. Muitos a chamariam de paranóica, mas Dolores já fizera esse trabalho antes, ela mesma já fora “apenas o vento” e o golpe que abreviara algumas narrativas.

Ficou memorizando os rostos daqueles quatro indivíduos, enquanto apertava a Faca dentro da bolsa. Com máscaras nas ruas, ela precisava do dobro de cuidados para não ser atacada por esses “bandidos mascarados”. Se eles não estivessem atrás dela, melhor ainda, mas não podia se dar ao luxo de baixar a guarda desde que fizera algumas inimizades no passado.

Não pôde ficar ali por muito tempo, ao que tudo indicava, ela chegara tarde, no fim daquela reuniãozinha. O homem mais jovem, o que lhe parecia familiar, continuara ao lado da mulher, enquanto o homem barrigudo e a garota de roupas imensas foram embora. Talvez, Dolores conseguisse dominar os dois que restaram, mas temia descobrir que seu cálculo estava errado e, na verdade, houvesse mais de um Caído na área. Seria facilmente subjugava, principalmente, se eles chamassem os outros dois como reforços.

“Inimigos! Inimigos. Inimigos?” Pensava e aguardava em seu “esconderijo”.

Por fim, a mulher e o homem também começaram a ir embora. Dolores os seguiu com muita calma, parando de tempos em tempos, mantendo uma distância segura. Esperava pelo momento em que eles se separariam e ela poderia abordá-los separados. O momento não veio. Eles caminharam várias quadras até chegar a uma casa com um portãozinho. A essa altura, já estavam numa área com maior número de pessoas.

O homem despediu-se da mulher, que entrou na casa, e começou a caminhar na direção oposta a Dolores. Ela poderia tentar blefar, pelo menos. Correu de forma de preguiçosa na direção dele e deu-lhe um tapinha de leve no ombro.

- Que foi, Débora? – Patrício disse enquanto se virava.

- Débora? – Dolores olhou, fingindo confusão e um sorriso... torto.

- Ahn, oi... ahn... desculpa, achei que fosse uma pessoa... – ele disse criando uma distância entre os dois.

- Ah, tá... – riu falsamente - Ó, desculpa, eu não queria te assustar, viu? Mas, será que você tem horas? Meu celular ta sem bateria.

- Hm, não, foi mal, não tenho relógio. – Patrício fez uma pausa. – Nem celular. - Disse enquanto se virava para ir embora.

- Tá tranquilo, foi mal mesmo, viu?! – deixou o cara que vira caído no chão da praça ir. “Eu mal o reconheci sem as drogas!” pensou.

“Débora.” Ela repetiu na mente e passou pela frente da casa de sua vizinha, olhando cuidadosamente para dentro. “Uma casinha simples por fora, difícil de olhar para dentro, mas sem grandes questões de segurança... gostei. Até a noite, queridinha...” Passou na construção abandonada para ver se haviam deixado alguma pista da reunião, mas encontrou apenas guardanapos de papel e copos plásticos no chão. “Ainda por cima é relaxada...” resmungou. Foi para casa e começou a planejar

Dolores deixou a noite vir e esperou mais algumas horas. A ideia não era entrar em combate, mas conhecer melhor a nova vizinha. Chegando naquela casa, caminharia em volta e tentaria ver quantos estão lá e como são seus hábitos. Certamente, teria que voltar mais vezes e em turnos variados. Pensar tanto nisso a lembrou quando se infiltrava em outras cidades de Anjos e precisava “resgatar” humanos. Como fluía delicadamente entre os corredores e habitações dos mortais durante as noites, pegando, primeiramente, as crianças, e depois os adultos; esgueirando-se para não precisar lutar por sua saída. Lembrava como, em algumas vezes, precisou “neutralizar” as intervenções dos Anjos ainda fiéis ao Criador. Torceu a boca ao lembrar-se dessa última parte.

Fez como planejou. Chegou à casa de Débora e olhou o perímetro. Observou como seria fácil invadir e lutar com ela lá dentro, exceto, talvez, pela senhora de idade que assistia televisão. A tal de Débora também recebera uma ligação com alguém combinando de aparecer na manhã seguinte. Ao desligar o telefone residencial, ela sorria de forma jocosa para a idosa e comentava que a “família estava com saudades”. Medo percorreu a coluna de Dolores, eriçando seus pêlos.

“Quantos lacaios essa mulher tem??!” Ela ficava imaginando se Débora estava criando um pequeno exército bem debaixo de seu nariz e se, a esta altura, não seria melhor fugir. Sua conta estava, ao que indicava, terrivelmente errada: a garota de roupas grandes, o homem barrigudo, o drogado recuperado, a idosa “inofensiva” e... “a família”. Engoliu seco. Tinha decidido não abandonar a vida que criara para si, precisava ficar e consertar isso.

Esperou com a paciência que somente os Demônios conhecem, viu as luzes começarem a ser desligadas e os habituais “Boa noite!” serem ditos. Conforme fazia novamente o contorno na casa, viu a janela da cozinha, a do quarto de Dona Adelaide e, por fim, o quarto de Débora. Posicionou-se.

Observando pelo canto da janela, Dolores viu Débora expressar o que parecia preocupação. A mulher andava pelo quarto e se olhava num espelho, repetindo alguns gestos, reencenando algumas frases que Dolores deduziu que aquilo era o que ela não pôde escutar nesta tarde. Também pensou que o aparente nervosismo se devia à vinda da “família”. Talvez, ela tenha entendido mal, talvez, Débora fosse apenas mais um Demônio menor a serviço de um Demônio maior.

“E daí que ela seja uma subalterna?! Não ajuda em coisa nenhuma!” Pensava enquanto observava. “Amanhã, preciso estar por aqui de novo... absurdamente arriscado, mas com toda essa porcaria de pandemia e fechamento de lojas e esse nojo todo, é quase impossível sumir de forma rápida e limpa... eu só preciso saber o quanto eles sabem sobre mim! Daí, sim, eu vou ter uma ideia de quanto tempo eu ainda tenho...”

Enquanto observava Débora em frente ao espelho, Dolores notou a mudança repentina em seu comportamento. Débora parara na posição em que estava como se estivesse congelada. Os olhos estavam fechados e os lábios pararam de mexer. Aquilo era estranho, muito estranho. Se não fosse um Demônio, Dolores simplesmente diria que a outra mulher estaria, provavelmente, tendo um derrame na solidão do quarto, mas Dolores era um Demônio, um com uma lista de amizades desfeitas... então, ela só podia pensar no pior cenário possível: Débora estava no meio de uma invocação.

“Seu superior? Seu empregado? Um humano a seu serviço? Sua vítima? Seu escravo?” Questionava-se. Sabia que muitos Demônios eram gentis até finalmente enlaçarem os mortais em seus jogos de poder. Sabia também que a Hierarquia do Abismo não ficou menos cruel com o sumiço dos Arquiduques. E tinha certeza de que “escravidão” era uma prática ativa até agora, com Demônios e Humanos; alguns Demônios de Facções como Faustianos e Rapinantes eram bons exemplos disso.

Quando Débora voltou a si, pegou o primeiro objeto que encontrou e atirou através do quarto. A caneca voou até a janela, quebrando o vidro numa chuva de cacos. Dolores estivera observando tudo, não usara nenhum poder, nenhuma habilidade, tinha certeza de que não poderia ter sido descoberta, mas saiu dali antes que sua sorte terminasse. Tinha tantos caquinhos na roupa, que estava surpresa por não ter se cortado com nenhum.

* * *

Na manhã seguinte, Tural foi buscar a caneca (ou o que restou dela) e limpar os cacos da janela. Ao dar a volta na casa, notou que havia vidro na lateral da propriedade, longe da janela de seu quarto... ergueu uma sobrancelha, claramente desgostoso com essa “novidade”.


**********

Morrigan (Kami) Ankh

Facebook: Pensando em RPG   Orkut: Pensando Em RPG Discord: Pensando em RPG

Facebook: Amarelo Carmesim Blogger: Amarelo Carmesim

Revisão: Filipe Dias Tassoni (@amarelocarmesim)

@Vale das Trevas


******* CAPÍTULOS ANTERIORES *******

1) FUGA [do Abismo] --- Nome Verdadeiro, Nome Celestial, Abismo e Corpo Hospedeiro. 2) LEMBRANÇAS [Paralelas] --- Casa, Adão e Eva, Lúcifer, Gehinnon (a primeira cidade), Ressonância

3) RECOMEÇO [Legado] --- Legado, Surgimento da Humanidade, Duas Ordens do Criador, Ahrimal, Grande Debate, Semblantes, Consciência, Eminência, Os nomes de alguns Anjos Rebeldes importantes na história do cenário, Miguel

4) VINGANÇA [Justiça] --- Doutrinas, o fim da imortalidade da humanidade, Casa Flagelo, Doutrina do Despertar

5) REFLEXÃO [Cautela] --- Antecedentes (Fé, Contatos, Recursos), Pacto e Ceifar Fé 6) CIGARRO [Negociações] --- Pacto (investimento), Seguidor, Tormento

7) ASCENSÃO [Poder] --- Antecedentes (Contatos), Revelação, Doutrina Primária 8)  CONTATOS [Diversidade] --- conceito de Invocação (uso do Nome Celestial para comunicação) 9) CIGARROS [Delboro Light] --- Presciência Sobrenatural

10) PREPARAÇÕES [Lâminas] --- aliados 11) LÂMINA [Faca] --- absorção de um Demônio por outro

Formulário de Inscrição

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram