DEMÔNIO, A Queda - introdução ao cenário (capítulo 03)


Hell-o!!!!!


Saiu o terceiro capítulo da parceria entre o Vale das Trevas (da ponte pra cá) e euzinha (Morrigan “Kami” Ankh), sobre o cenário de “Demônio, a Queda”. Não sabe do que se trata? Então confere os capítulos 1 e 2 deste conto que pretende explicar como funciona esse cenário de RPG. 


A cada capítulo, serão trabalhados conceitos do jogo através da história do Anjo Caído TURAL. Até agora, foram introduzidos alguns conceitos do cenário: Nome Verdadeiro, Nome Celestial, Abismo e Corpo Hospedeiro, Casa, Adão e Eva, Lúcifer, Gehinnon (a primeira cidade), Ressonância. 


Bora lá?! :)


* * * * * * *

RECOMEÇO [Legado]

Ajudou a mãe a se acomodar na poltrona depois do café da manhã. Deixo o controle remoto em sua mão e fez questão de repetir que estava tudo bem. Nada que uma tentativa de noite de sono, regada de idas e vindas pelo quarto de sua hospedeira não tenham feito milagre para colocar as ideias de Tural em um ou outro lugar da mente. Vestiu-se e começou o trajeto até o Departamento de Polícia mais próximo.


Passou boa parte da noite mexendo nas coisas de Débora, que agora eram suas. Não era uma mulher de muitas coisas à mostra, havia caixas com etiquetas sobre e ao lado dos armários. Coisas velhas, sem um uso frequente, mas que eram mistas entre eletrônicos defasados e alguma memória afetiva. Débora colecionava momentos perdidos também. Enquanto folheava um álbum de fotografias, Tural buscava em seu próprio Legado por momentos tão puros quanto a infância de uma criança, do que mais ele lembrava de sua existência como Anjo Caído antes da prisão, antes das primeiras mágoas da humanidade?

Foi em suas mãos que as águas de rios puros e frescos corriam enquanto ele limpava os ferimentos de um humano. O nome daquele humano parecia sumir agora, mas Tural lembrava de ver a água correr sobre o ferimento, levando um líquido rosado embora, deixando um arranhão deveras profundo surgir. O humano certamente tivera um encontro com algum felino de porte maior, resultando num arranhão profundo.

Apenas limpar o ferimento não resolveria. Tural sorriu para o humano, na época, e lhe assegurou de que tudo ficaria bem. Então, colocou a mão sobre o ferimento e se concentrou. Em sua mente, tão claro quanto um dia de sol, Tural viu através da simples carne e observou o fluxo da vida sob a pele e dentro das carnes daquele humano. Sentiu o calor do corpo aumentar na região do ferimento, enquanto puxava com sua vontade as células. Multiplicavam-se, devoravam as células mortas, as células infeccionadas. No começo, houve pus saindo do ferimento, logo, deu lugar a sangue, para rapidamente virar uma cicatrização e, então, nada. O arranhão fechara de dentro para fora, fazendo a coxa do humano ser restaurada a seu estado normal. A gratidão nos olhos dele era agradecimento suficiente para Tural, que acreditava naquilo como a única razão verdadeira para existir.


Quando Adão e Eva vieram, trouxeram uma camada de poesia à Criação. Por mais perfeita que as demais camadas fossem, frutos de trabalhos infindáveis de Anjos que buscavam agradar ao Criador, nada se comparou ao surgimento da humanidade. Os primeiros humanos, Adão e Eva, posteriormente chamados de Pai e Mãe de Todos, eram simples, inocentes, levados por seus instintos a sobreviver. O Criador fora cuidadoso com o desenvolvimento dessas criaturas tão peculiares, deixando duas diretrizes fixas para os Anjos: amar aos humanos como eles amavam ao próprio Criador, e jamais, em nenhuma hipótese, deixar que os humanos soubessem de sua existência. Em choque, restou aos Anjos unicamente aceitar essas ordens e continuar seu trabalho, afinal, estando de alguma forma protegendo e podendo amar aos humanos, acreditavam que tudo seria possível. Infelizmente, a inocência da humanidade era frustrante. Adão, Eva, e seus descendentes pareciam primatas preocupados unicamente em encher o estômago, ao invés de evoluírem como o ápice do plano divino. Comer uma fruta, ou uma batata crua, era a mesma coisa para eles: um meio de encher a barriga e viver mais um dia. A diferença entre os sabores doce, azedo, amargo e salgado não significavam nada além de uma informação completamente ignorável, que deixava um rastro de coisas mordidas jogadas pelo chão onde pisavam. Diante dessa falta de progresso, as leis impostas pelo Criador, aos Anjos, soaram amargas como fel em seus corações.


Quando Ahrimal, Anjo da Casa das Esferas, mencionou ter vislumbrado nos astros um evento de dimensões catastróficas para a humanidade, a notícia foi enviada ao Criador. Em sua divindade, Ele apenas assentiu sobre ter recebido a notícia e disse que tudo estava em ordem. Alguns Anjos, completamente devotados aos humanos, como pais protetores dos filhos, não conseguiam aceitar o que consideravam ser uma posição passiva do Criador. Em dilema, afinal, suas ordens em relação a humanidade eram claras, houve o Grande Debate. Os Anjos se reuniram e conversaram a respeito da descoberta de Ahrimal. A humanidade enfrentaria uma calamidade, era inevitável. O Criador parecia alheio às súplicas dos Anjos. A questão que permanecia era: qual era o posicionamento dos Anjos?


O Grande Debate reuniu as várias linhas de pensamentos dos Anjos, alguns sugeriram que a humanidade deveria ser munida de poderes para se defender, mesmo que os Anjos tivessem de se revelar a ela. No fim, cogitavam que a primeira ordem (amar aos humanos da mesma forma como amavam ao Criador) deveria, certamente, se sobrepor a segunda ordem (jamais se revelarem à humanidade). Outros, cogitavam que o Criador deveria saber exatamente o que estava ocorrendo, razão pela qual ignorava às solicitações de auxílio aos humanos (e mantinha silêncio sobre o assunto).

Foi a presença de Lúcifer que criou maior comoção entre os Anjos. Em seu discurso, Lúcifer encheu os espíritos de seus irmãos com determinação e esperança. Algo devia ser feito! Ele mesmo, o Príncipe dos Anjos, a Estrela-da-Manhã, acreditava ser necessário intervir e se revelar aos humanos. Mesmo com muitas opiniões contrárias, ele reuniu um grupo de Anjos dispostos a seguir o plano de salvar a humanidade, mesmo indo contra os desígnios dos céus.

O plano desse grupo de Anjos era simples: apresentarem-se de forma gradual para os humanos, afinal, a divindade contida em seus Semblantes, as formas que assumiam na realidade, poderia ser demais para a mente humana suportar. Apareceram um por vez diante de Adão, Eva, Abel e Caim, e a cada aparição, cada Anjo oferecia um presente aos humanos. O último presente foi dado por Lúcifer: Consciência, a capacidade de elevar a humanidade acima das demais espécies.

Tural sempre imaginou como teria feito a própria apresentação, como teria ofertado seus dons. Até mesmo um Anjo podia sonhar com o primeiro contato (e a primeira transgressão). Porém, Tural ainda não tinha Eminência, faltava-lhe a fama entre seus irmãos, pois Lúcifer (na época, Serafim da Primeira Casa, Príncipe de Todos os Anjos e a Voz de Deus, o Altíssimo) levou consigo apenas alguns escolhidos: Madisel (Arcanjo do Passado Oculto), Grifiel (Principado Daqueles Que Caçam Durante o Dia), Senivel (O Poder dos Regatos), Gaar-Asok (A Virtude da Estrela Polar), Toru’iel (Dominação Rubi), Nazriel (Trono da Benevolência Infinita).


Os representantes dos Anjos rebeldes foram aceitos pelos humanos, que receberam ensinamentos sobre a Criação. Acreditando que isso mudaria o futuro da humanidade, todos os rebeldes se empenharam em melhorar suas capacidades.

Mas outra aurora veio e Miguel apareceu se apresentando como “Serafim da Espada Flamejante e Voz de Deus”, junto a ele, outros Anjos. Ele trouxe as ordens do Criador: perdão por desobedecerem a ordem e revelarem-se, contanto que os rebeldes se rendessem e aceitassem a aniquilação de seus Nomes, seus seres. Aos humanos, o perdão viria sob a forma de aceitarem que tudo o que lhes foi ensinado, pudesse ser apagado, como se aquele encontro jamais tivesse ocorrido.

O Pai e a Mãe de Todos, e o filho de nome Caim, optaram por ficar ao lado dos rebeldes. Abel, por sua vez, refletiu que seguir com Miguel e ser fiel ao Criador era a opção mais correta. Lúcifer se recusou a ser obliterado e Miguel se sentiu afrontado, dando início a uma luta que ficaria na memória dos Anjos para sempre.


Miguel empunhou a espada flamejante contra Lúcifer, que estava desarmado, mas o Príncipe era mais hábil e veloz, esquivando-se dos golpes e irritando ainda mais ao atual Serafim da Espada Flamejante. Todos os outros Anjos, rebeldes ou não, ficaram imóveis, testemunhando o duelo entre dois expoentes de sua espécie. Em algum momento, a rebelde Madisel jogou a própria arma, uma foice, para que Lúcifer pudesse se defender. Não era uma arma épica, não era páreo para a Espada Flamejante, mas foi o suficiente. Com a foice de Madisel, Lúcifer conseguiu vencer o embate, provando sua superioridade em relação a Miguel. O atual Serafim da Espada Flamejante teve de reconhecer sua incapacidade de subjugar seu, outrora, superior e retirou-se com seus Anjos e humanos fiéis aos Criador. Porém, é claro, nada seria tão simples… E o que veio a seguir, foi um golpe profundo no ânimo da rebelião...

O barulho da buzina despertou Tural de suas memórias. Quase perdera seu novo corpo ao atravessar a rua. Mais duas quadras e chegaria à delegacia. Parte sua quis ensinar ao humano dentro do carro com quem ele realmente lidava, que sua presença no cosmos era graças a espécie dele, mas, em parte, ele também sabia que o primata no carro ignorava a poética divina sobre conexões entre todas as coisas que compunham aquele mundo. Além disso, a própria demora era impetuosa quando o assunto era um motorista e sua buzina descontrolada.

- Tá carente, é?!!!! Engole a buzina para chamar atenção!!!!!! - gritou para o homem no carro e continuou cruzando a rua. Em algum local de sua personalidade, havia prazer em saber que irritou ainda mais aquele homem. O que ele iria fazer? Atropelá-la em plena luz do dia? Com testemunhas e tão próximo a uma delegacia? Não, Tural apostava que não.


Chegando em frente à delegacia, havia duas pessoas do lado de fora, obedecendo uma fila com marcas no chão, o tal “distanciamento social” para não se contaminar com o próximo. Ele esperaria, era um mundo novo e ainda precisava saber administrar todos os recursos oferecidos por Débora, somado a isso, suas memórias lhe acusavam que estava em frente a uma unidade de força da Lei e da Ordem. Isso significava problemas neste mundo. Tural preferia evitá-los enquanto não tivesse alguma “carta na manga”.


* * * * * * *

- Morrigan (Kami) Ankh

@Pensando em RPG

@ Amarelo Carmesim

@Vale das Trevas

 

Formulário de Inscrição

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram